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Secas, dívidas e sucessão desafiam agronegócio do Rio Grande do Sul
22/09/2026
(Foto: Reprodução) Secas, dívidas e sucessão desafiam agronegócio do Rio Grande do Sul
O agronegócio é uma das principais forças da economia do Rio Grande do Sul, mas enfrenta uma sequência de dificuldades. Secas, enchentes, perdas nas lavouras, endividamento e falta de sucessão rural aumentam os desafios para quem vive da produção no campo.
Um levantamento da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) aponta que, entre 2020 e 2025, o estado deixou de produzir 48,6 milhões de toneladas de grãos em relação ao volume esperado.
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As perdas chegaram a R$ 126,3 bilhões no agronegócio. Considerando os impactos em outros setores, como indústria, comércio e serviços, o prejuízo alcançou R$ 319,2 bilhões.
Para o produtor Erico Toniolo, que planta milho e cria gado em Viamão, os eventos climáticos tornaram o planejamento mais difícil.
“A gente não pode fazer dívida contando com o que vai colher, porque não sabe se vai colher”, afirma.
Irrigação é uma das apostas
A ampliação da irrigação é apontada como uma das alternativas para reduzir os efeitos das estiagens. Na safra 2025/2026, 99,9% da área de arroz do estado era irrigada. No milho, o índice era de 17,4%, e na soja, de apenas 3,8%, segundo a Secretaria da Agricultura do RS.
Em São Luiz Gonzaga, o produtor Carlos Eduardo Braga Pires investe em irrigação desde 2012. Segundo ele, a tecnologia reduz os riscos e aumenta a previsibilidade da produção.
O estado mantém um programa que prevê subvenção de até 20% para projetos de irrigação e reservação de água, com limite de R$ 150 mil por produtor. Entidades também defendem novas linhas de crédito e incentivos fiscais para ampliar o acesso à tecnologia.
Endividamento preocupa produtores
Outro problema é o endividamento. O Rio Grande do Sul soma R$ 45 bilhões em operações de crédito atrasadas, inadimplentes ou renegociadas, segundo dados obtidos pela reportagem.
Na produção de leite, a instabilidade de preços e o aumento dos custos também reduziram a capacidade de investimento. De acordo com a Fetag-RS, o número de produtores de leite no estado caiu de 84 mil, em 2015, para 29 mil, em 2025.
Nilson Luiz Costa, coordenador do Núcleo de Pesquisas em Economia do Agronegócio da UFSM, acredita que a saída para o endividamento não passe apenas pela renegociação das dívidas:
"Algo a ser pensado são ações de curto, médio e de longo prazo. A questão que envolve a ampliação dos investimentos de irrigação, junto com o fomento ao seguro privado e ao Proagro, são essenciais para nós pensarmos a política pública de resiliência climática para o campo. Uma outra questão que também me parece relevante envolve a diversificação de culturas", diz.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) defende investimentos em tecnologia e pesquisa para tornar a atividade mais resistente aos eventos extremos. Segundo o superintende do Senar/RS Eduardo Condorelli, a recuperação e o manejo do solo são fundamentais para aumentar a resiliência das lavouras.
"A gente produzia, tradicionalmente, 26, 28 sacos por hectare. E após iniciar o processo, elas pulam para 54, 56 sacos de soja por hectare em anos de estiagem", aponta Condorelli.
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Sucessão rural é outro desafio
Além de garantir a produção, o setor precisa encontrar formas de manter os jovens no campo. Em Bozano, no Noroeste do estado, o produtor Armando Zanetti, depois de cinco décadas na lavoura, espera que a família dê continuidade ao trabalho.
O filho, Gian Zanetti, decidiu permanecer na propriedade e assumir o legado construído pelo pai.
Entidades do setor defendem políticas específicas para a juventude rural, com crédito, assistência técnica, formação e oportunidades de empreendedorismo.
Para produtores e especialistas, fortalecer o agronegócio gaúcho passa por reduzir os efeitos do clima, ampliar a proteção financeira, investir em tecnologia e criar condições para que uma nova geração permaneça no campo.
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Omar Freitas/ Agencia RBS
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