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Para 'driblar' filas em posto de saúde, pacientes do SUS são orientados a pagar por exames no RS; secretaria apura irregularidade
02/05/2026
(Foto: Reprodução) Secretaria da Saúde apura cobrança irregular de exames do SUS em Muçum
Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Muçum, no Vale do Taquari, estão recebendo a orientação de pagar por exames em clínicas conveniadas para evitar longas filas da rede pública. A Secretaria da Saúde do Estado afirmou que apura possíveis irregularidades no encaminhamento, feito pelo próprio posto de saúde do município.
Na unidade, pacientes são informados de que, para não esperar anos na fila do SUS, precisam arcar com parte do custo dos exames diretamente em uma clínica conveniada.
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Uma das pacientes é Marília Zenatti, que é autista e enfrenta dificuldades para se alimentar. Após atendimento no posto de saúde, a família recebeu a orientação de que ela precisava realizar uma endoscopia, ao custo de R$ 500.
Segundo a mãe, Cecília Zenatti, dona de casa, a alternativa apresentada foi pagar para não enfrentar a fila. "Demora dois, três anos... Vai até cinco anos."
Além da endoscopia, Marília também foi orientada a fazer um ecocardiograma, no valor de R$ 35, e uma ultrassonografia, que custa R$ 180. O total representa cerca de um terço do benefício que ela recebe do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A família vive de aluguel desde que a casa foi atingida pela enchente. Além de Marília, a mãe cuida da neta e outro filho autistas.
"Como ela não tem dinheiro, tem que tirar da comida para poder fazer", relata.
No posto de saúde de Muçum, a reportagem confirmou que pacientes são informados de que, para não entrar em longas filas, o pagamento é a alternativa. Uma funcionária explicou que o valor é pago diretamente à clínica conveniada.
Na Secretaria da Saúde do Estado, a informação repassada foi de que, sem o pagamento, o processo é mais demorado, porque o paciente precisa entrar em duas filas: a da consulta e a do exame.
Dados obtidos pela RBS TV, por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que o tempo médio de espera por consulta para esse tipo de tratamento pode chegar a 759 dias. Esse é o prazo mínimo que Marília teria de aguardar.
Em nota, a Secretaria da Saúde do Estado informou que vai adotar providências para apurar os fatos e destacou que qualquer cobrança vinculada ao encaminhamento não é compatível com os princípios do SUS.
A Prefeitura de Muçum afirmou que o convênio com prestadores para a realização de exames com desconto foi a alternativa encontrada para enfrentar as longas filas.
"Se o paciente resolver assim: 'Bom, eu não quero esperar na fila SUS', aí é opção dele, né? Não é nós que vamos dizer”, diz o prefeito de Muçum, Amarildo Baldasso. Ele afirma que o paciente continua na fila do SUS e que a decisão de pagar pelo exame é uma escolha individual. "Nós não podemos obrigar as pessoas a ficarem na fila também, ficar lá na fila cinco, seis anos."
A reportagem solicitou dados sobre a fila de exames à Secretaria Estadual da Saúde, mas o pedido foi negado. A justificativa foi de que as informações não são sistematizadas e que seriam necessários trabalhos adicionais de análise e consolidação.
Secretaria da Saúde apura cobrança irregular de exames do SUS em Muçum
Reprodução/RBS TV
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