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Empresa convoca funcionários a usar verde e amarelo e vira alvo do MPT por suspeita de assédio eleitoral em SC
22/10/2026
(Foto: Reprodução) Empresa fica em Blumenau
Divulgação
Uma empresa têxtil de Blumenau, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, foi denunciada por suspeita de assédio eleitoral após convocar funcionários a vestirem roupas nas cores verde e amarela para fotos dentro da fábrica, durante o expediente. A ação ocorreria na Tex Cotton nesta quinta-feira (22).
O caso foi levado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que enviou uma recomendação à fábrica na terça-feira (20). Segundo a empresa, a iniciativa foi cancelada na quarta-feira (21), e a decisão foi comunicada internamente.
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A denúncia foi apresentada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e Região (Sintrafite), que argumentou que a escolha das cores e da data da ação remetiam à campanha eleitoral do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Em nota, a Tex Cotton negou motivação político-partidária e alegou que a iniciativa tinha "caráter exclusivamente cívico, com o objetivo de valorizar a identidade nacional e o sentimento de pertencimento ao Brasil" (leia íntegra abaixo).
A empresa disse que apresentou esclarecimentos ao MPT.
Agora no g1
Denúncia aponta temor de constrangimentos
Segundo o Sintrafite, uma mensagem enviada pelo setor de Recursos Humanos convidava os colaboradores a vestirem verde e amarelo para fotos nos setores da fábrica.
"ORGULHO DE SER BRASILEIRO! Nesta quinta-feira, 22/10, convidando-os a demonstrarem seu orgulho pelo nosso Brasil. Vista uma peça de roupa verde e amarela e participe desse momento com a gente! Passarão pelos setores para realizar fotos, com quem quiser participar. A participação é voluntária." (veja foto abaixo).
Apesar de o comunicado indicar que a adesão era opcional, trabalhadoras relataram ao sindicato o medo de sofrer constrangimentos ou retaliações veladas da chefia caso não participassem da ação.
Para o sindicato, a combinação das cores e da data levantou suspeitas de relação direta com a campanha eleitoral.
Print mosra o comunicado foi enviado por um aplicativo de mensagem aos funcioná
Reprodução
MPT recomendou cancelamento da ação
Após receber a denúncia, a procuradora do Trabalho Bruna Bonfante enviou uma recomendação à Tex Cotton, na terça-feira (20), orientando a empresa a não impor, sugerir ou induzir manifestações políticas no ambiente de trabalho.
O documento também pede que a companhia não estabeleça uso de roupas ou materiais com cores e símbolos de candidatos ou partidos.
O MPT deu prazo de 24 horas para a empresa informar os funcionários sobre a ilegalidade do assédio eleitoral.
A fábrica também deveria comprovar no processo o cancelamento do evento. O descumprimento das orientações pode levar à abertura de uma Ação Civil Pública e a penalidades.
O que diz a empresa?
A Tex Cotton esclarece que a iniciativa de convidar seus colaboradores a utilizarem roupas nas cores verde e amarelo, prevista para esta quinta-feira (22), tinha caráter exclusivamente cívico, com o objetivo de valorizar a identidade nacional e o sentimento de pertencimento ao Brasil, sem qualquer intenção ou direcionamento político-partidário. Vale reforçar que as cores representam o país e tem sido utilizadas por ambos os lados que disputam a eleição para a presidência, neste segundo turno.
A companhia reforça que deixou claro a todos os colaboradores que a participação seria inteiramente voluntária e que, em nenhum momento, houve referência a partidos, candidatos ou orientação de voto, mas uma intenção de reforçar o caráter democrático do momento em que o país vive. A realização de ações temáticas, com o uso de cores para promover conscientização e integração entre colaboradores, faz parte das práticas da empresa ao longo do ano.
Em respeito à recomendação do Ministério Público do Trabalho (MPT), a Tex Cotton cancelou a iniciativa e comunicou a decisão internamente, ainda no dia 21 de outubro, antes da data prevista para a ação. A empresa também apresentou seus esclarecimentos ao órgão e permanece à disposição para eventuais informações adicionais.
Com 40 anos de atuação, a Tex Cotton reafirma seu compromisso com o respeito à liberdade individual, à diversidade de opiniões e à dignidade de seus mais de 800 colaboradores, não admitindo qualquer forma de constrangimento ou retaliação relacionada a posicionamentos políticos ou à participação em iniciativas internas.
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