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Churrasco raiz: por que carne de menos de R$ 20 o quilo e com mais de mil toneladas vendidas em 2025 é a favorita dos gaúchos
26/02/2026
(Foto: Reprodução) Costela segue entre as mais baratas
Nem foi preciso grande redução no preço para que um dos cortes mais tradicionais do Rio Grande do Sul mantivesse sua soberania no espeto. A costela, símbolo do churrasco “raiz”, ficou mais barata no último ano na Região Metropolitana de Porto Alegre e reforçou a preferência dos consumidores.
Mesmo em churrascarias que oferecem vários cortes, como vazio, maminha e galeto, a escolha dos clientes costuma ser sempre a mesma.
“O pessoal busca o churrasco clássico, o costelão. É o que mais sai aqui”, afirma Marcelo Britti, proprietário de uma casa especializada.
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Segundo dados do IPCA, a costela foi um dos cortes com maior queda de preço no ano passado na Grande Porto Alegre. A redução chegou a 4,27%, e o quilo hoje é vendido por menos de R$ 20.
Só a paleta teve recuo maior, de 6,33%. Músculo e acém também ficaram um pouco mais em conta.
A explicação para o alívio no preço da costela envolve oferta ampliada. Como o consumo no estado é muito superior ao de outras regiões, comerciantes dizem que parte da carne precisa vir de fora para atender a demanda.
Segundo dados da Ceasa, mais de 1,3 mil toneladas foram vendidas apenas no ano passado.
“Outros estados não consomem tanta costela quanto o Rio Grande do Sul. Então, ela acaba vindo de fora para suprir”, explica Edgar Barbieri, dono de um centro comercial especializado em carnes.
Na outra ponta, cortes como contrafilé, coxão de dentro, alcatra e picanha registraram aumento — o contrafilé lidera, com alta acima de 6%.
O professor Júlio Barcellos, da UFRGS, aponta que o consumo maior de cortes nobres depois da pandemia, como filé e entrecot, pressionou os preços dessas carnes e deixou a costela relativamente mais barata. Ele afirma que o cenário deve seguir estável no primeiro semestre de 2026.
Tradição fala mais alto
Costela
Reprodução/ RBS TV
Para muitos, a escolha é afetiva. O médico Vitor Prochnow lembra que cresceu acompanhando o preparo da costela na família.
“É algo muito nosso. O costelão de 12 horas, a costela no fogo de chão, a costela minga... sempre esteve nos meus primeiros churrascos. Meu avô sempre pedia costela, e isso foi passando”, diz. “Está entre as melhores carnes para mim", revela.
Para outros, como o aposentado Adil Alves, o sabor é imbatível:
“A gordura entrando na carne deixa muito mais saborosa e macia. Sempre que vou ao açougue, trago costela”.
No açougue, há também quem nem planejava acender a churrasqueira, mas muda de ideia ao ver o preço.
“Gaúcho que não gosta de costela? Costela vale ouro. E quando está barata, tem que aproveitar”, diz o caminhoneiro João Pereira, já garantindo a peça do fim de semana.
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